Lílian Maial

Basta existir para ser completo - Fernando Pessoa

Meu Diário
27/02/2011 14h39
LIBERDADE


 LIBERDADE
Por Lílian Maial

 


 

Amanhece, e essa avalanche de azul invade o quarto.

Como um mini-exército de criaturinhas celestes, forçando a abertura das minhas sonolentas pálpebras, a manhã me acorda sorridente, bagunceira, espaçosa, e nada me resta, senão devolver-lhe o “bom dia”.

Custo um pouco a levantar, nessa preguiça empenada, que me impede de correr para a varanda e alcançar os beija-flores.

Com um pé de chinelo e o outro descalço (com crianças em casa, nunca se acha o outro pé), afasto as cortinas e percebo o despertar de mais um dia.

 

Deixo-me embriagar pelos sentidos: sinto o cheiro da manhã, aquela sensação de flor e café quentinho; vejo o movimento sorrateiro dos vizinhos, provavelmente com a mesma moleza das manhãs de outono; noto o calor dos primeiros raios de sol, e permito-me envolver por inteiro; converso com as plantas e os passarinhos, que me encaram com seus bicos úmidos de flores, atrevidos colibris, pairando no ar e me desafiando a voar; tenho o gosto da alegria a escorrer pelos cantos da boca, nesse riso rasgado que não me contém.

Espreguiço ou, como preferem alguns, me alongo toda, me espicho, me estalo, cada junta parece feliz e elástica.

Tenho vontade de dançar. Há música em meus ouvidos, talvez no coração.

Há vida. Estou viva, pronta para mais um dia.

Debruço um pouquinho e quase quero me jogar na suave brisa de junho.

Namoro crianças risonhas em seus carrinhos na calçada (elas me entendem, cúmplices).

Tento alcançar o fim do céu a olho nu e, nesse instante, mergulho no infinito. E sou livre.

 

Não há sensação melhor no mundo que a liberdade.

Sou livre para pensar, para querer, para sentir. Não há o que me proíba de ser.

 

E olho minhas mãos. O quão livres são minhas mãos?

Essas mãos que já pediram colo, que já passearam pelo rosto e cabelos de minha mãe. Que já se cruzaram nas costas, escondendo as artes do papai, e que também o vestiram e cruzaram as suas, em seu derradeiro adeus. Essas mãos que já amaram, que já procuraram os caminhos do prazer, que já se deram a outras mãos, em comunhão. Que já ampararam, acariciaram, cuidaram e deram segurança a cada filho, e que também os soltaram, para que aprendessem seus próprios caminhos e acreditassem em suas próprias mãos. Essas mãos que já curaram, confortaram e fecharam as pálpebras de tantos pacientes. Essas que já escreveram os mais belos poemas e as mais amargas cartas de solidão. Essas que ainda procuram e procuram e procuram, porque são livres para procurar.

 

Sim, não há nada que substitua a liberdade.

Pode-se perder uma parte do corpo, um grande amor, a família, o emprego, o sucesso, o trem. A tudo se supera, se adapta. Mas não se pode perder a liberdade, pois é através dela que se entende a vida, que se pode ter esperança de que, um dia, se possa ser realmente livre.

 

Há os que não compreendem a liberdade, que acreditam que ela é uma opção. Tolos! A liberdade é o único bem que já nasce conosco, sem nenhum tipo de taxa ou dízimo. Inúmeros políticos, ditadores, líderes religiosos e legisladores tentaram cercear a liberdade, mas não conseguiram: ela está em nossa mente.

O homem é livre, por natureza, e qualquer clausura, até aquela que se mascara de amor, de proteção, de ciúme, é daninha, é perversa e cruel.

 

Nada no mundo vale a liberdade. Nada!

 

Volto da viagem ao infinito do céu, esbarrando naquela nuvem em formato de travesseiro, e deixo-me descansar, fitando as mãos. Percebo uma pelinha ali no cantinho da unha, e lembro-me da hora na manicure. E ainda tenho que comprar o pão, esquentar o leite, fazer o café e cortar o mamão.

 

 

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Publicado por Lílian Maial em 27/02/2011 às 14h39
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27/02/2011 13h55
"DANCING QUEEN"


"DANCING  QUEEEN"



por Lílian Maial



 



 



Nessa mesa de bar, enquanto espero, sinto o faro dos homens tolos, dos solitários, lobos desdentados, leões grisalhos, e a matilha de infelizes, que nem sabem da alegria de esperar o amor.



Não há ponteiros no meu relógio, só uns ouvidos atentos, em meio ao caos urbano.



Sou vítima e vitrine. Sou o próprio tempo e todos os dias que ainda não fui.



 



Mais um gole de guaraná. Conversas e espreitas. A oportunidade de tocaia.



Sem os meus sinais, nada do que entendo é real. Sou uma fagulha de existência, nesse imenso universo de mim.



 



Tenho tempo de me perceber e aos outros rostos.



Vejo a fome da alma, a tentar devorar a carne, através de uns olhos baços, cintilantes de colírios, que não escondem a solidão dos nossos dias.



Vejo um desfile de agonias, abafadas pela música alta, disfarçadas pelos níveis de álcool no sangue, dribladas por torpes galanteios sem intenção de afeto.



Sangue. Eu quero o sangue. Quero o vermelho da paixão, a ingenuidade dos olhares plenos, a delicadeza dos toques preocupados, a singeleza de pedir por carícias sem palavras.



Carne. Sim, também quero a carne, mas não essa carne de liquidação, de ponta de estoque, mais barata por pequenos defeitos de fábrica. Eu quero a carne fresca, tenra, rosada. A carne regada a vinho, o vinho que vem da sede, sede de amor, sede de entrega, sede de cumplicidade.



Alma. Nada de sangue e carne sem alma, ou estaria falando de corpo, não de gente. Uma alma limpa. Uma alma desse mundo. Uma alma que abraçasse a minha, entendesse a linguagem dos homens e dos deuses. Uma alma que me tomasse pela mão, que me fizesse esquecer do tempo, que me trouxesse a infância em cada passo, em cada beijo, em cada afago.



Aqui, nessa mesa de bar, enquanto espero, sinto a solidão de purgatório, a que os homens se impõe. Uma pena, um auto-flagelo, uma confusão desnecessária. Bebe-se muito, come-se muito, dança-se muito, fuma-se, cheira-se, pica-se muito, faz-se muito sexo, faz-se muita ironia, muito desdém. Mas faz-se pouco amor, pouca doação, fala-se pouco, ouve-se pouco.



Não há folhinhas em meu calendário. Os dias passam em minha mente, de trás para a frente, de frente para trás, ao som de rock, blues, techno. Boleros, tangos, minuetos. Minha vida seria um soneto, um terceto, uma trova. Por ora, um verso inverso, uma prosa, uma drusa.



Já me sinto confusa, talvez do vinho que não fui bebida. Talvez da espera ao longo da vida.



Vida...  longo... 



Não! É curta e passa, está passando, estou passando.



É quando o homem de terno branco e pele negra me sorri pérolas e me oferece a mão rochosa. Nele, o tempo é verso e prosa.



Levanto-me canção e bailo descalça, imersa em saudade. Danço a música que me orquestra. Deslizo em tapetes de metas, planos e vontades. Decido doar o relógio e o calendário. Ouço as notas que ninguém percebe. Ali, num segundo, eu sou eterna.



 



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Publicado por Lílian Maial em 27/02/2011 às 13h55
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01/02/2011 16h52
ROUGE
ROUGE
®Lílian Maial
 
 

Sempre tivera atração por vermelho. Ainda menina, invejava “Chapeuzinho Vermelho”. Crescidinha, a paixão pela cor aumentou: roupas, sapatos, batom, unhas, até o carro era o velho Mustang-cor-de-sangue!  Devorava morangos, cerejas, framboesas. Gostava de exibir os machucados, morder os lábios, os cantinhos dos dedos. Era o sangue, o gosto de ferro, sentir a vida gota a gota. Preferia se depilar com lâmina, que com cera quente ou fria. Sentia um imenso prazer em menstruar, ver os pingos criando figuras no branco da louça.

Mas não era qualquer sangue – era o seu! Assim não fosse, teria sido médica, ou trabalharia em banco de sangue, mas nada disso jamais lhe passara pela cabeça.

Sonhava com banhos sensuais, onde lhe escorria sangue pelo corpo nu. Imaginava lágrimas rubras rolando pela face. Sentia o calor pulsando nas veias, em contraponto à frieza das sensações que lhe afloravam rutilantes. 

 Até que não suportou e fez jorrar toda a repressão pelos poros. Suou em variadas nuanças, desde granada profunda até desbotada anemia.
Exangue, dormiu. Com mil demônios!   

 
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Publicado por Lílian Maial em 01/02/2011 às 16h52
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15/01/2011 16h18
DEPOIS DA TEMPESTADE, O CAOS
®Lílian Maial


 
Acabei de receber o impressionante depoimento de uma moradora de Teresópolis - uma das cidades da região serrana do Rio de Janeiro, castigada pelas chuvas do início da semana.

Eu, que já vinha sofrendo com a falta de notícias de amigos chegados, fiquei mortificada com o relato dessa mulher, tão aflito e desolador.

Normalmente nos comovemos com as águas violentas arrastando carros, móveis, casa e pessoas. Sofremos com o número de mortos e com os objetos pessoais, colecionados durante toda uma vida, com sacrifício, perdidos num único dia.

No entanto, poucos fazem ideia do que acontece em seguida: falta de luz (que implica em falta de geladeira ou freezer e a perda de tudo o que lá existia), de telefone (inclusive celular, pois a bateria não tem como ser recarregada), de internet, ou seja, falta de comunicação. As pessoas estão sem água (cortado o abastecimento pelo risco de contaminação dos corpos dentro dos rios), e sem comida (uma vez que a produção foi destruída) e as estradas não estão dando acesso para a chegada de caminhões de abastecimento dos supermercados.

A maioria dos moradores deixa suas casas a pé, pois as águas e a lama varreram tudo o que havia dentro delas, incluindo os carros, e se deparam com o horror: lama, fedor e devastação em cada esquina!

Há o cheiro insuportável dos corpos em putrefação, que chegam em caminhões, cerca de 60 a 80 por vez, ou levados pelos moradores que ainda possuem carro.

Nas ruas, corpos amontoados ou sob escombros inalcançáveis. Desfilam pés, braços e partes de corpos mutilados pela violência da correnteza, corpos passam boiando pelos rios.

É como um êxodo de guerra: helicópteros de todas as cores cruzando os céus às dezenas, sirenes a noite inteira, bandos de pessoas, sempre em silêncio absoluto, carregando suas crianças e seus parcos pertences, vergados sob o peso do que era possível carregar nas costas. Todos de cenhos franzidos, em estado de choque, passos arrastados, com histórias para contar de terrores inimagináveis.

Nas casas, a lama contaminada provoca diarréia e outros sintomas. E ainda há o perigo de todo o tipo de doenças. Muitos animais domésticos ficaram para trás, em casas abandonadas, sem comida ou água, ou no alto das ribanceiras despencadas, andando de um lado para outro, em desespero, sem conseguir descer.

Os poucos moradores que conseguem levar seus animais, quando chegam aos locais onde são recolhidos pela Defesa Civil, têm que deixá-los, pois não podem levá-los para os abrigos. Eles são, então, abandonados às dezenas, vagando pelas ruas, sem socorro, e certamente disputarão qualquer possível alimento com violência.

O pior do ser humano, infelizmente, também aflora nessas horas e as cidades estão sendo saqueadas, com pedestres apanhando nas ruas.

Mas há o outro lado, com o trabalho incansável e incessante das equipes de todas as procedências, trabalhando madrugadas adentro, no breu, na chuva, no risco. São os que liberam estradas, recolocam postes, levam e buscam moradores, doações, resgatam, tratam, socorrem. Não é um perfil de trabalho, mas de uma missão sem interrupção, enquanto não estiver concluída.

São repórteres chorando em frente às câmeras, por não suportarem a visão do que é indescritível.

E começa a faltar de tudo! Além de todo o básico, faltam: velas, fósforos, pilhas de todos os tamanhos, lanternas, pasta de dente, fraldas, absorventes femininos, medicamentos.

As prefeituras se mobilizam e compram todo o estoque das farmácias, mas, mesmo assim, não dão conta.

O mais necessário é água, muita água, muita água, muita água!

E já existem casos de leptospirose e de tétano, e o número vai aumentar exponencialmente nos próximos dias, pelo tempo de incubação. A população de ratos já nem se esconde mais, nestes locais mais atingidos: já fazem parte do cenário de caos. E os hospitais que ainda estão de pé, não têm leitos suficientes para a quantidade de doentes e acidentados que chega a cada minuto.

Tem chovido intermitentemente, embora não tão forte, mas as próximas previsões são assustadoras. O céu continua carregado. A alma também.

Há muito que fazer. Vamos começar.

 
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 Veja como ajudar as vítimas das chuvas na Região Serrana do RJ
Locais que estão recebendo doações:

Cruz Vermelha - Praça da Cruz Vermelha, 10 – Centro do Rio.
Estão sendo arrecadados: água mineral, alimentos de pronto consumo (massas e sopas desidratadas, biscoitos, cereais), leite em pó, colchões, roupa de cama e banho e cobertores.

Prefeitura de Petrópolis – Igreja Wesleyana; Igreja de Santa Luzia; Sede da Secretaria de Trabalho, Ação Social e Cidadania.
Os três postos arrecadam doações de água, colchões e materiais de limpeza e higiene pessoal.

Prefeitura de Teresópolis – Ginásio Pedrão – Rua Tenente Luiz Meirelles, 211 – Várzea.

Estão sendo arrecadados: água, alimentos, roupas, cobertores, colchonetes e itens de higiene pessoal.

Uma conta corrente também recebe doações para ajudar as famílias atingidas pelo temporal.

Nome da conta: "SOS Teresópolis - donativos".
Agência: 0741 (Banco do Brasil) – Conta: 110000-9.

Rodovia BR-040 - Concer - Praças de pedágio da BR-040 situadas em Duque de Caxias (km 104), Areal (km 45) e Simão Pereira (km 816), além da sede da empresa (km 110/JF, em Caxias).

A Concer pede que seja doado, preferencialmente, água mineral, produtos de higiene pessoal e de limpeza, roupas de cama, mesa e banho, além de colchonetes. Nas praças de pedágio, as doações podem ser entregues nos postos do serviço de informação ao usuário da rodovia, que funcionam de segunda a segunda, 24 horas por dia.

Hemorio – Rua Frei Caneca, 8 – Centro do Rio – Das 7h às 18h.
O Hemorio pede que as pessoas doem sangue para as vítimas das chuvas. Os estoques estão quase zerados. Friburgo e Teresópolis solicitaram 300 bolsas, mas o Hemorio não tem como atender.

Pode doar sangue quem tiver entre 18 e 65 anos, mais de 50 quilos e estiver bem de saúde. Basta levar um documento oficial de identidade com foto.
Informações e agendamento pelo disque sangue 0800-282-0708.

Supermercados – Grupo Pão de Açúcar
Postos de coleta foram montados pela empresa em todas as suas 100 lojas das redes Pão de Açúcar, ABC Comprebem, Sendas, Extra e Assaí, em todo o estado Rio de Janeiro para que os clientes possam cooperar com doações de alimentos não perecíveis, roupas e cobertores. A ação acontece até o dia 26 de janeiro.

Polícia Rodoviária Federal - Ver postos abaixo.
Maior necessidade é por água, leite em pó, materiais de higiene e limpeza e colchões.

Postos da PRF que receberão doações:
BR-116: KM 133 (Doações 24 horas)
BR-101: KM 269 (Doações 24 horas)
BR-040: KM 109 (Doações das 8h às 17h)
BR-116: KM 227 (Doações das 8h às 17h)

Rodoviária Novo Rio - Avenida Francisco Bicalho, 1 - Santo Cristo.
A Rodoviária Novo Rio recebe doações para a Cruz Vermelha. Os donativos são recebidos no embarque inferior, das 9 às 17 horas.

Polícia Militar - Todos os batalhões da Polícia Militar do estado serão centros de recepção de doações.
Comandantes dos batalhões recomendam que seja doada água mineral, alimentos não perecíveis e materiais de higiene pessoal.
 


Publicado por Lílian Maial em 15/01/2011 às 16h18
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14/01/2011 15h57
O CHORO DA SERRA
O CHORO DA SERRA
®Lílian Maial
 


Aprendi a gostar de finais de semana quando ia com meus pais, bem pequena, ao Museu Imperial, em Petrópolis, e deslizava com aquelas pantufas enormes, encantada com o luxo e a exuberância da corte portuguesa na terra brasilis.

Aprendi o que era o lado direito e esquerdo na casa de Santos Dummont, nos degraus da escada de um pé de cada vez, e a ver as horas no Relógio das Flores, em Petrópolis, e a me imaginar princesa, em valsas intermináveis, no Palácio de Cristal.

Aprendi a dar o primeiro ponto de sutura num hospital, em Teresópolis, sob a orientação do Dedo de Deus, que me trazia alumbramento.

Aprendi a guardar lembranças e sabores da padaria da rua principal do Alto de Teresópolis.

Aprendi sobre vento, árvores, pássaros, um friozinho gostoso e muita paz, em Nova Friburgo.

Aprendi a gostar de comida alemã e a entender que suspiro não era só doce de clara de ovo e açúcar, mas que era também o nome da praça principal, onde se provava qualidade de vida.

Aprendi que viajar para a região serrana era uma forma de apreciar a Mãe Natureza, em sua majestade, do meu Rio de Janeiro.

Sou tão pequena para entender a Grande Mãe! Tanta água, tanta força, tanta dor...

Não aprendi a desapegar das humanidades todas.

Não aprendi a deixar de sofrer pelos que tudo perdem.

Não aprendi a desaprender.

Hoje, mais água inunda o peito, infiltra o coração e desaba em sal e desolação, soterrando o sorriso e deixando a poesia em escombros.

Sou pequena diante da Grande Mãe, mas me fundo aos que lamentam seus filhos, amaldiçoam as águas furiosas e as irresponsabilidades todas. Construir sem destruir.

Grito um grito de indignação e impotência.

Choro com saudade da infância. Visto minha alma de luto e vontade. Elevo uma prece de resgatar coragem. E entoo uma canção de reerguer mais um dia.
 
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Publicado por Lílian Maial em 14/01/2011 às 15h57
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