Lílian Maial

Basta existir para ser completo - Fernando Pessoa

Meu Diário
10/01/2011 18h12
MARCELA TEMER

Acabei de ler e comentar um texto muito bem escrito, da jornalista Malu Fontes, doutora em Comunicação e Cultura, professora da Facom-UFBA, diretamente do blog Literácia, quando ela comentava acerca da personagem feminina que mais chamou a atenção dos meios de comunicação, desde a posse da primeira mulher brasileira eleita para a Presidência da República - Dilma Roussef.

Ela se referia a MarcelaTemer, mulher de 27 anos, jovem, bonita, formada em Direito e casada com o vice-presidente da República, Michel Temer, homem de 70 anos, o que provocou grande "furor" na mídia e nos sítios de relacionamento.

Houve comentário de todos os lados, pelo fato de ser Marcela uma ex-miss, e da diferença de 43 anos entre ela e o Michel.

É natural que haja uma série de comentários sobre a vice-primeira dama, inclusive alguns com tom bastante grosseiro, tanto proferidos por homens, quanto por mulheres, de todas as idades e classes sociais. Já ouvimos alguns interessantes, até comparando Marcela com a princesa Diana.

Sabe-se que a moça, quando se casou com o Temer, contava com 20 anos, ele com 63 anos, então deputado federal. Há 2 anos tiveram um filho. O que todos se perguntam é se ela teria se casado com ele, se fosse um "joão-ninguém".  Isso ninguém nunca vai saber.

O que se conhece é a discrição da moça, sua elegância e porte, e uma chuva de especulações da pior espécie.

A jornalista Malu Fontes comentou que "as mulheres não perdoam Marcela por ela ser jovem, bela e casada com um homem poderoso". Discorre sobre o caso como se se tratasse de inveja. Não sei se é só isso, ou, até mesmo, se é isso. Acredito, inclusive, que tal abordagem seja um tanto superficial. A raiz é muito mais profunda.

A grande mágoa das mulheres é a certeza de que, se fosse o inverso, a mulher setentona seria apedrejada em praça pública pela mídia, receberia a alcunha de ridícula, esclerosada, e outros adjetivos menos educados, de todos e cada um dos brasileiros e brasileiras.

As brasileiras estão acostumadas à beleza das suas estrelas de cinema, teatro e televisão, muitas com idade já avançada, e não se magoariam com a beleza da Marcela.

O que incomoda é o atraso do feminismo no Brasil, e a Marcela simplesmente tornou isso evidente, justo na festa feminina, por ver a primeira mulher subindo a rampa do Planalto.

O que magoa é saber que, caso Dilma Roussef optasse por desposar um homem de 25 anos, seria crucificada por cada vivente deste planeta chamado Brasil.

O preconceito contra a mulher alcança nuanças insuspeitadas, disfarçado de um tal senso moral duvidoso e tendencioso.

Marcela que viva sua vida, que ajude (ou não) seu marido a desempenhar seu papel na política do nosso país, e que seja feliz!

Quanto a nós, mulheres e homens, que entendamos que cada um sabe o que é melhor para sua vida, e que a escolha, num país livre, é direito de cada cidadão.

Vamos aguardar para ver se surge um "primeiro-damo" de 25 anos...


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Publicado por Lílian Maial em 10/01/2011 às 18h12
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25/12/2010 13h58
HOJE É NATAL
HOJE É NATAL
®Lílian Maial
 



Feriado.

Dia de contabilizar suicídios, overdoses e infelizes.

Todo mundo desejando ao outro “Feliz Natal”. Mas o que significa isso? Por que você deseja isso a alguém? O que você quer dizer?

Quantas vezes ouvi mos “Feliz Natal” de quem não está nem aí para nós o ano todo?

Quantos, de quem queríamos apenas um abraço, o calor humano, num dia qualquer, sequer lembram que existimos, ou nos desejam sucesso e paz? E como ter paz, quando ela depende justamente do outro e de suas atitudes e decisões? Como ter sucesso, se todos os sonhos se desmoronam com a maldade, a crueldade e a indiferença de quem já foi tudo?

O que se fez do Natal? Uma compra e venda de afeto. Uma frase mágica, que apaga toda a infelicidade do mundo. Uma festa cristã com sentimentos marqueteiros.
Quantas “lembrancinhas” obrigatórias, que em nada combinam conosco, e que temos de retribuir, sem a menor vontade?

Hoje é Natal.

Data a que se atribui o nascimento de Jesus, homem que pregou a igualdade entre os homens e que virou símbolo de bondade, altruísmo e amor ao próximo, coisas bem diferentes do que se vê nos dias de hoje, onde o consumo mandatório tomou conta das mentes e nublou corações de conceitos inadequados e imprecisos.

Natal virou festa burguesa de importação de valores que não são nossos. Não temos neve, não temos vestimentas pesadas, não temos as frutas típicas, nem as canções originais. Tudo vem de fora. E, no afã da fantasia americanizada (pois até as roupas de Papai Noel vieram da propaganda da Coca-Cola), esquecemos da nossa realidade, nossa cultura vasta e linda e da nossa gente, que em sua maioria não tem nem arroz com feijão, muito menos peru e presentes. O que teriam para celebrar?

Num país como o nosso, com sérios problemas sociais, essas festas soam, no mínimo, como desrespeito. E todos embarcamos nessa cegueira colorida e sonorizada, enfeitada de lembranças de infância e de mortos queridos, tampando o sol com a peneira da indiferença.

É! Hoje é Natal.

E me veio esse horror à hipocrisia, à obrigação de agradecer pelo que não vem do coração, à consciência de que, por um dia apenas, todo o comércio e o movimento da cidade fica caótico, estimulando a desigualdade, a revolta e a infelicidade de muitos - preceitos absolutamente opostos à pregação cristã.

Hoje é Natal. Na minha casa, na sua, nos hospitais, presídios, favelas, na caatinga, no sertão, nas palafitas, nas pontes que abrigam os desabrigados, nos pontos de venda de drogas, nas sarjetas e nas lavouras.

Hoje é Natal e você tem comida, tem Roberto Carlos na praia de Copacabana, tem gargalhadas alcoólicas, tem presentes e palavras ensaiadas. Mas será que temos verdadeiramente o Natal no coração?

 
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Publicado por Lílian Maial em 25/12/2010 às 13h58
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23/12/2010 20h54
DEFINIÇÃO DE AMOR - Carta para Lucilaine
DEFINIÇÃO DE AMOR
®Lílian Maial
 
 
“Lembra quando esteve aqui no meu apartamento e falou um tantão de coisa? Uma eu não esqueço: esse armário de casal é só seu, logo estará preenchido do outro lado. Acertou! Tudo passa. Só que perdi a definição de amor”. 
                                                                                               Lucilaine
 

Perder a definição de amor soa como uma coisa grave.

Mas qual seria a definição de amor?

Seria algo envolto em inocência, com promessa de eternidade, passando pelo crescimento, pela construção de um futuro e um “colher frutos” juntos?

Seria a incondicionalidade do sentimento, com a necessidade de cuidado, de compartilhamento e cumplicidade?

Seria o depositar da esperança, numa conta conjunta de confiança com o outro?

Seria a entrega de todos os sonhos, esparramados aos pés da pessoa amada, contando com os passos macios?

No fundo, é tudo isso. Talvez nada disso. Quem sabe apenas a nossa própria identificação no outro?

E, se é assim, como alguém pode perder a definição de amor? Como perder algo que está dentro de nós?

Sim, porque sentir amor pelo outro é possuir um amor dentro de si, que se doa ao outro. O outro desperta em nós essa vontade, mas é de dentro de nós que surge o amor.

O problema é que nós idealizamos e antecipamos, em projetos, o amor. Já imaginamos, no primeiro ano de vida em comum, como será cinquenta anos adiante, e vamos, lentamente, passo a passo, construindo essa certeza.
Aí, de repente, se está novamente sem o objeto do amor e se perde o chão. Não porque se perde a definição de amor, mas porque já não se é mais adolescente em busca de um parceiro de sonhos. Já somos adultos com uma bagagem de vida, com boa dose de amargura, decepções e cicatrizes. E, apesar de já possuirmos a plena consciência da maturidade, que se nos foi imposta pelo tempo, atavicamente ainda procuramos, no possível novo alguém, aquele adolescente que encontramos há anos, com as mesmas tolices, as mesmas certezas, planos e afinidades. Esquecemos que já não somos a menina, somos agora a mulher.

É por isso que se tem a sensação de perda de definição do amor, embora o que se perca seja a ilusão de menina, a inocência do amor eterno, o aprendizado de quem nada sabia da vida. Isso não tem volta, e não se acha mais em mais ninguém, nem em nós. Isso era uma coisa só daquela etapa da vida, daquele casal.

Faz-se necessário aceitar as fases da vida, como capítulos de um longo e surpreendente livro, onde somos autores e protagonistas. Tem o capítulo do nascimento, o da infância, da adolescência, do casamento, da maternidade, do mercado de trabalho, das dificuldades em criar filhos, dos filhos adolescentes, do adoecimento dos pais e sua ausência muito sentida, e tem o capítulo das separações e do recomeço. Nesse meio-tempo, o capítulo, não menos importante, das muitas cabeçadas, noites insones, lágrimas incoercíveis e lembranças dolorosas. Tem o capítulo dos Natais e Reveillons de solidão, o das datas marcantes, como de aniversário de namoro, noivado e casamento (onde muitas vezes se contam as bodas disso e daquilo – pura tortura do nosso subconsciente masoquista).

Nossa! São tantos capítulos de ponta-cabeça!

Contudo, há o capítulo da independência, o da vota por cima, o da descoberta da força, por baixo de todas as fragilidades, o do autoconhecimento, o do altruísmo e da bondade. Ué... Mas isso tudo não é amor?

Viu só? Não se perde a definição de amor, pois em tudo o que se faz, se coloca amor. Tudo o que nos cerca, nos locupleta dele. O que precisamos é identificá-lo nas pequenas coisinhas do nosso dia-a-dia, e deixarmos aflorar, para nós mesmos, essa incrível capacidade de amar e perdoar, mesmo àqueles que nos trouxeram esse novo capítulo, do nosso livro da vida, chamado dor.

Eu acredito, piamente, que só podemos começar um novo capítulo, quando conseguimos perdoar. Mas não perdoar da boca pra fora e, por dentro, ainda se remoer de “por que” e “como seria”. Falo de perdoar de verdade, a ponto de torcer para que o outro reencontre seu caminho e consiga prosseguir. Isso é o mais difícil de tudo. E o mais profundo. E é quando se está só, num cantinho do quarto, que se sabe se houve ou não o perdão.

Talvez, quando alcançarmos esse patamar, e só então, tenhamos reencontrado aquela definição de amor perdida lá atrás. Aí, finalmente, é hora de escrever mais um capítulo, que é o “vou ser feliz novamente, de um jeito diferente daquele que já fui um dia, porém não menos grandioso e gratificante”. Até lá, não há o que se assustar com as águas que rolarão, com as olheiras que surgirão, ou com a sensação de vazio. Isso é um percurso comum a todos os que já amaram demais, e com plena definição de cada minuto desse amor.
 
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Publicado por Lílian Maial em 23/12/2010 às 20h54
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18/12/2010 15h13
VEM CHEGANDO O NATAL... E DAÍ?
®Lílian Maial


 
Venho observando algo diferente neste mês de dezembro.
Ainda não identifiquei o motivo, mas as pessoas não estão animadas como nos outros anos. Não vejo as casas tão iluminadas, por exemplo. Já no meio do mês, grande parte das casas ainda não se enfeitou.

Difícil culpar a inflação, as eleições, o calor ou alguma calamidade. A inflação vem se mantendo estável, com pequenos acréscimos, mas nada de tão diferente do ano passado e dos anteriores. As eleições trouxeram novidade apenas para os incautos, haja vista a repetição de tudo o que estamos francamente acostumados há muito tempo. Ficha limpa? A sua, a minha. Assim como impostos em dia e obrigações civis. Não, não é isso! O calor, por sua vez, está até mais brando que em anos anteriores. E nenhuma calamidade assolou o carioca.

Então qual a razão desse aparente descaso (ou seria cansaço?) que tomou conta das pessoas neste mês? Inexplicável.

Seria saudade do Presidente Lula, que está deixando o cargo? Seria precaução com a assunção da Presidenta Dilma?

Ou seria a constatação da impunidade dos grandes e verdadeiros criminosos? Talvez os aumentos dos políticos na calada da noite, sem que houvesse o mesmo para as profissões fundamentais para os serviços públicos?

Quem sabe a descoberta que vários dos comandantes do país estariam interessados apenas em se locupletar, deixando as reivindicações do povo à deriva?

Não tenho as respostas, mas percebo que tudo isso junto vai trazendo uma letargia, que se manifesta na falta de ânimo para comemorar uma data que deveria simbolizar o renascimento, a esperança e os princípios éticos e morais mais elevados.

Mas como falar de princípios éticos e morais no país dos que “gostam de levar vantagem em tudo?”

Como falar em irmandade numa população castigada por impostos e taxações que impedem um mínimo de lazer e dignidade?

Impossível se estimular fraternidade em quem não tem futuro.

Ainda não sei as respostas, porém, a sensação me incomoda profundamente, pois traz à tona os sentimentos de perda, de fracasso e de saudade de um passado não tão distante, mas que não retornará.

Por isso, acabei de montar a minha árvore bem colorida e iluminada, enfeitei minha casa com o espírito de amor daquele menino milenar, e separei ingredientes fundamentais para a minha ceia, como: carinho, esperança, amor, lembranças, alegria, sorrisos e poesia!

FELIZ NATAL!
 
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Publicado por Lílian Maial em 18/12/2010 às 15h13
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11/11/2010 20h15
ESTAMOS ENVELHECENDO
®Lílian Maial
 
 
Faço parte de um grupo de amigas dos tempos de colégio, que celebrou um reencontro depois de muitos anos sem notícias umas das outras. Trocamos e-mails, opiniões, experiências e afetos. Rola um carinho muito grande e, eventualmente, quando entra alguma nova/antiga amiga, há toda uma expectativa quanto ao primeiro encontro nesse reencontro.

Hoje, uma delas – que curiosamente faz aniversário – colocou, em resposta às felicitações pela passagem do natalício, uma observação que me deixou pensativa, uma vez que estamos todas na mesma faixa etária e, por conseguinte, amealhando as mesmas alegrias e aflições. Ela estava receosa de nos decepcionar, num próximo encontro, e comentou que, embora tivesse vivido em diferentes lugares, alguns bem exóticos, e tido a coragem de deixar um bom emprego para se aventurar novamente na vida acadêmica, estava evidente que já estava “passadinha” para um bom emprego quando a aventura terminasse. Comentou da insegurança e do medo de não vir a ter uma vida que valesse a pena ser vivida.

Naturalmente, diante de um relato tão pungente, choveram mensagens de otimismo, de incentivo e de conforto. Fiquei martelando uma idéia: existe alguma vida que não valha a pena ser vivida?

Pesquei umas citações sobre o envelhecimento, mas houve uma frase, em especial, que me mostrou algo que sempre soube: tudo, então, vai depender dos poemas que estão guardados na alma.Tratava-se da menção do evangelista João: “... e o Poema se faz carne”.

Mas é tão difícil, no dia-a-dia, fazer poesia! Aí vem o Rubem Alves e me diz que “A alma é guerreira: Pugno, ergo sum – luto, logo existo.”
E é exatamente isto: a luta! O que mantém a juventude da alma é a luta! Quando uma pessoa desiste de lutar, tenha a idade que tiver, ela envelhece; na verdade, fenece, como uma flor. Em todos os dias é necessário que se vença os desafios.

Quando se é criança e adolescente, a batalha é pelas notas, pela aprovação na escola, na faculdade. Mais tarde, por um lugar ao sol, um emprego, constituir família, encontrar o par ideal. Depois, a preocupação com os filhos, sua criação, sua formação, sua partida de casa, para formarem as famílias deles. Vem a preocupação com os pais, já idosos, até sua partida. A insegurança da convivência com o silêncio, com o eco da própria voz, muitas vezes as separações, o fim de casamentos, aliados às mudanças orgânicas que acompanham a inevitável e ultrapassada menopausa (démodé, mesmo).

Nossa! Como somos guerreiras! Como somos fortes e determinadas, em nossa feminilidade, maternidade e espiritualidade! Estudar, crescer, casar, ter uma carreira, isso é fácil para qualquer um. Mas fazer tudo isso e ainda ser o motor da família, o ponto de equilíbrio, o jeito para tudo, mais ainda, viver o poema... Uau! Estou admirada comigo mesma da nossa capacidade de poetizar a vida!
 
Minha amiga, o que posso lhe dizer? Sim, envelhecemos. É uma verdade inexorável. É uma droga! Uma lástima não ter mais o mesmo contorno dos 20 anos, ter de disfarçar o indisfarçável, conviver com os animais e frutas do tempo: pés-de-galinha, papada de pelicano, perna de casca de laranja, barriga de vaca, cabelo de palha de milho, ufa! Mas, pense bem, sabíamos disso desde a assinatura do contrato da vida. O cartório do destino reconheceu firma e tudo! Não tem como tentar mudar depois. Nascemos e, então, concordamos com tudo isso. E vivemos, não vivemos? Não tivemos todos os benefícios dos 5 anos, dos 10 anos, dos 15, dos 20, 30, 40? Até que dá pra driblar aqui e ali, mas, de maneira geral, não tem volta... 

Agora, é bobagem retroceder. O negócio é ir adiante e descobrir o que ainda há por vir. Qual a aventura de amanhã? Qual o desafio que a guerreira vai enfrentar, dessa vez? Luto, logo existo. Isso não quer calar dentro de mim.

Quando eu bem imaginava que me aposentaria e teria uma vida calma, junto à família, numa casinha de campo ou de praia, de repente, a essa altura do campeonato, me vi precisando arranjar mais um emprego, por conta de um divórcio tardio e por ter que cuidar de minha mãe, que, independente que sempre foi, nunca imaginou que fosse algum dia precisar de mim. A grana não dava, tive que ir à luta, me virar! Lutar, amiga, lutar!

É, a vida dá voltas e mais voltas, e nos envolve, emaranha, deixa tudo de ponta-cabeça, da noite para o dia. As certezas são tão incertas, quanto os amanheceres (essa eu inventei agora). E é maravilhoso que seja assim,não? Já pensou ter a certeza da vida formatadinha? O fim chegando e você parada, esperando?

Então, minha amiga – que essa crônica é pra você – é arregaçar as mangas, sem vergonha do estado do braço, porque esses braços são fortes e sustentariam pilares, se preciso fosse. Vamos à luta, porque existimos. Vamos à luta, porque estamos todas no mesmo barco. Vamos à luta, porque juntas o fardo é menor e é comum a todas, e nos torna mais íntimas do que nunca. Vamos à luta, porque é da nossa natureza. Porque somos a única razão de merecer a vitória.

Estamos envelhecendo, é certo, como é certo que em algum dia não estaremos mais por aqui. E o que é que marca a existência de uma pessoa: as facilidades ou as lutas que teve de vencer? Os ícones mundiais são famosos por seus feitos, por suas lutas e conquistas e, geralmente, já na terceira idade. Então, vamos aproveitar bem a segunda idade e, como Scarlett O’Hara, de “E o Vento Levou...”: vamos pensar nisso amanhã.
 
Beijo da amiga,
 
Lílian Maial
 
 

Publicado por Lílian Maial em 11/11/2010 às 20h15
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