Lílian Maial

Basta existir para ser completo - Fernando Pessoa

Meu Diário
03/01/2007 14h54
As Chuvas Apagam as Chamas?
Passamos um final de ano às voltas com o terror, com o receio de sair às ruas, com um misto de medo, indignação, alívio e vergonha.
Vem o Reveillon, com uma pseudo-segurança redobrada, número reduzido de turistas internos e externos (que a mídia sutilmente disfarçou).
Muda o governo estadual, é reempossado o governo federal, e cai uma insolente chuva desde então, que parece não querer deixar os céus do Rio, como que para ajudar a apagar as chamas do pânico e da maldade.
Ou seria para lavar as consciências dos que "nada podem fazer"? Quem sabe, para impedir que os que poderiam fazer alguma coisa encontrem outros que também fariam, se a chuva não atrapalhasse?
Enfim, nessa madrugada mais um ônibus incendiado em Belfort Roxo, dessa vez, felizmente, sem vítimas imediatas. Sim, vítimas imediatas, carbonizadas, mas mesmo assim com vítimas da opressão, da imposição, do cerceamente do direito de ir e vir livremente.
Saímos de um regime ditatorial dos anos 60 e 70, para um regime de medo e fobia social, para um regime de liberdade exagerada, sem regras, onde os direitos do outro não são respeitados, onde o outro é achacado, imprensado na parede, trancafiado em grades residenciais.
Saímos berrando pela liberdade, pintamos a cara, fizemos o maior estradalhaço, conseguimos as diretas, mas agora maquiamos a realidade, e vivemos com medo dela.
No outro artigo, falei na reforma legislativa, e houve quem questionasse que o Brasil já tem muitas leis, que não são cumpridas. Pois é exatamente esse o ponto: o excesso de leis torna o sistema falho, pois, a cada nova lei, há sempre o risco de interpretações dúbias e brechas, favorecendo a ilegalidade e quem a defenda.
Há que se reformar a legislação, mas não criando novas leis, ao contrário, enxugando as já existentes, reduzindo o calhamaço de palavras rebuscadas, para uma meia dúzia de páginas bemn escritas, porém de acesso fácil a qualquer cidadão.
E cada uma dessas leis com uma fiscalização eficiente, eficaz e efetiva.
Nada de inúmeros parágrafos, adendos, emendas! Precisamos de um pequeno manual de regras simples de conduta em sociedade. E ponto. A exceção é exceção, e não pode ser tratada como rotina.
De que adianta um Código Penal imenso, se os bandidos saem da cadeia, após cometerem crimes hediondos, por "bom comportamento"?
Como pode um homem condenado a 444 anos sair após 10 ou 15 anos de pena? E as vidas que esse indivíduo ceifou?
Assim, tanto faz matar um ou um milhão... A pena é a mesma!
E por saberem disso, os criminosos, uma vez envolvidos num único crime, passam a assumir a postura de liberação geral, ou seja, já que já é assassino mesmo, tanto faz ser de um ou de uma centena, que não faz a menor diferença para a lei.
Então, meus caros leitores, reflitam sobre isso e sobre o significado de tudo, sobre as interpretações várias que existem por aí, e sobre o que nos espera, caso não tomemos alguma postura imediata, alguma atitude de repúdio, alguma posição de exigirmos nossos direitos de viver em paz.

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Publicado por Lílian Maial em 03/01/2007 às 14h54



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