Lílian Maial

Basta existir para ser completo - Fernando Pessoa

Meu Diário
14/11/2015 14h25
SAUDADES

SAUDADES

Lílian Maial


 


Hoje, em pleno voo de volta para casa, meus mortos vieram me saudar nas nuvens.

Estavam desenhados com as mais diversas formas, numa alegria de mortos.

Não pude vê-los em suas respectivas nuvens, mas sabia qual era a de cada um.

Meu pai morreu num dia como o de hoje, há 32 anos. Não consigo computar os anos em suas distâncias. É como se eles tivessem sido compactados na minha memória.

Muitos outros vieram me cumprimentar, bailar nas minhas lembranças.

Eu pude revivê-los. Uma viagem no tempo.

Por alguns instantes, quis poder tocá-los, sentir seus cheiros e o calor de seus corpos.

Cheguei dessa viagem com mais saudade e muito mais certezas. Não pretendo desperdiçar abraços e palavras de afeto. Vou dizer o que sinto, sem pudores infantis. Nunca se sabe quando não mais se vai poder ter ao lado as pessoas que passam por nós e que nos são caras.

Então, também por isso, quero gritar, hoje, agora, que te amo!

 

*******************

Belém, 30/08/2015


Publicado por Lílian Maial em 14/11/2015 às 14h25
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor e o link para o site "www.lilianmaial.com"). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
14/11/2015 14h05
TRINTA ANOS

®Lílian Maial

 

 

Trinta anos, trinta dias, trinta minutos... Quando foi, mesmo, que fizemos a faculdade?

Foi ontem, quando lutávamos por nossas ideias entre uma aula e outra.

Anteontem, uma comemoração no bandejão ou na birosca no final da trilha.

Hoje, um tempinho de nada logo depois, e temos tantas histórias para contar, temos o registro de mais de 300 vidas entrelaçadas pela vida!

Sempre ouvi as histórias dos pacientes, seus anseios, seus medos, suas dores, conquistas, amores. Mas hoje quero ouvir e saber de você.

Como viveu até aqui? Conseguiu o que sonhou? Encontrou o amor? Tem família? Ainda tem sonhos por realizar? Nesses anos todos, pensou em nós, em nossos caminhos por tantas aulas cruzados? O que aprendeu e ensinou nesses 30 anos?

Todo ano, no Dia do Médico, penso em você. Penso em como você deve viver Seu Dia: um trabalho de parto pela madrugada, uma cirurgia na hora do almoço, uma aula para os filhos de alguém, quando você nem ouviu o seu dizer, pela primeira vez, “papai” ou “mamãe”. A cada ano, renovamos o juramento que fizemos ainda crianças, quando brincávamos de médico e sabíamos que não escaparíamos do destino.

Uma vez escrevi que a poesia era um vírus que eu havia pego na infância: meus amigos tinham catapora, eu tinha poesia. Hoje eu sei que contraí diversos vírus, e a Medicina foi um deles. Pequenininha já sabia. Acostumei com a brincadeira de criança. Eu me pari de branco.

Cansaço? Sim. Decepções? Muitas! Mal remunerados? Tremendamente. Desistiria? Jamais!

Se há algo a lamentar, foi apenas o fato de não poder ter conhecido você mais profundamente.

Fui muito feliz com você, em cada dia que nos vimos. Você faz parte do meu passado que voltou ao presente, como uma gaveta querida, onde encontrei uma jóia deixada lá no fundo por muitos anos. E descobri que ainda reluz intensamente!!!

Estou muito emocionada e feliz.

Vocês, minha turma de 1981, são como uma doce tatuagem que a vida imprimiu na minha pele e na minha alma. Estão lá, sorrindo para mim todas as vezes em que olho para o que me tornei.

 

Sei que o sentimento é comum a todos. A época da faculdade somava muitos valores maravilhosos: juventude, inocência, molecagem, sonhos, escolhas, liberdade, amor, medo (que dá um bocado de adrenalina) e vitória. Não há como não ser feliz.

Cada um seguiu seu curso, porém, sempre ligados por essa linha imaginária que nos transpassa e une, onde quer que estejamos, que é o amor ao próximo e à nossa Medicina.

É muito bom poder comemorar esse dia, sabendo que perpetuamos a fidelidade aos princípios que sempre nortearam nossas vidas desde muito jovens. Tenho muito orgulho de ter convivido com você.

Na minha vida já fiz muitas coisas: já saí na chuva sem proteção de propósito, já comi cobertura de bolo escondida, raspei panela de brigadeiro, raspei as pernas, mudei a cor dos cabelos, das unhas, dos olhos, já engordei, emagreci, já dei boas gargalhadas, já chorei em público (e sozinha no chuveiro), já quis cortar custos, algumas pessoas da minha vida, os pulsos algumas vezes; já apontei estrelas e corri para o espelho pra ver se aparecia verruga na ponta do nariz, já levei tombos sinistros, já tomei porres homéricos, já jurei pra sempre, ri no parto, prometi esquecer e logo me lembrei que não conseguiria, enxuguei lágrimas, desenhei castelos (e morei em alguns suspensos no ar), chupei fruta na feira, me lambuzei de felicidade, me apaixonei pelo obstetra (só até o parto), morri de amor, morri de saudade, morri de raiva, e renasci tantas vezes, só de teimosia, enverguei até o chão, mas nunca quebrei; vi sombras nas paredes, desenhei coisas em nuvens, me apaixonei por artista de cinema, me achei mais bonita que as estrelas, me xinguei mil vezes no espelho, conversei com minhas plantas e fiz confidências a passarinhos, derramei lágrimas de saudade, sorri com a chegada, lamentei não saber das coisas com antecedência e agradeci por não poder prever o futuro; plantei árvores, criei filhos, escrevi livros, e agora eu sei que nada disso teria o mesmo sentido se não fosse por você, que está rindo e pensando que tudo aquilo ou boa parte do que escrevi aí em cima você também já fez ou pensou. E sabe por quê? Porque somos irmãos de sonhos. Somos da mesma geração, da mesma luta, dos mesmos ideais. Temos a consciência coletiva da missão que nos coube e que a vimos cumprindo bem. E a certeza absoluta de que começaríamos tudo outra vez.

Vivamos todos nós!

Parabéns a todos!

Feliz reencontro para vocês, meus amigos! Não estou de corpo presente, mas meu coração está com vocês há 30 anos!

 

*****************

 


Publicado por Lílian Maial em 14/11/2015 às 14h05
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor e o link para o site "www.lilianmaial.com"). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
20/05/2014 16h44
A COPA É NOSSA!

A COPA É NOSSA!

®Lílian Maial

 

“Os tempos mudaram”...  (frasezinha fdp de verdadeira!). Tudo muda o tempo todo no mu-u-un-do... (já cantava Lulu Santos). É isso aí: os tempos mudaram, mas algumas coisas são eternas.

Nasci em ano de Copa, vivi com um pai doido por futebol e cresci amando o Maracanã e o Fluminense.  Vivenciei cada Copa do Mundo com a mesma alegria, agitação e barulho. Torcia tanto, que chegava a doer. Passei por Copas do Mundo durante a ditadura (fomos campeões em 1970, auge da loucura e da dor), na abertura e na liberdade. E nunca vi campanha elaborada para fazer com que desse errado.

Agora, de repente, surge um movimento de protesto contra a Copa. Que o dinheiro gasto teria sido mais bem empregado nisso ou naquilo. É como dizer para uma dona de casa menos favorecida que não compre um brinquedo para o filho, que o dinheiro gasto seria mais bem empregado comprando um bife de filé mignon. Não seria. Ele continuaria subnutrido e mais triste sem o brinquedo. Não é apenas com o dinheiro do brinquedo que se resolveria a nutrição da criança. E se fosse, por que mostrar, então, o brinquedo à criança? Por que deixar que ela o segurasse nas mãos, se a ideia não era presenteá-la?

Aqui se fez protesto por 0,20 de aumento no preço da passagem de ônibus, quando os demais itens de necessidade básica aumentavam e ninguém protestava. No mínimo, estranho...  Quebraram vidraças, caixas eletrônicos de certos bancos (sempre os mesmos?), mas não distribuíram nada aos menos favorecidos.

Já fui chamada de ufanista recentemente, porque simplesmente não concordo em atrapalhar a alegria do povo.

Está certo que estamos num momento difícil da nossa história, em fase de mudança de costumes, em época de ressentimentos, necessidade de providências imediatas (talvez pela chegada de informações a cada segundo, muitas dessas informações criteriosamente selecionadas, para que nos chegue exatamente o que alguns querem). Enfim, manipulações midiáticas que tanto conhecemos (ou não, como diria Caetano).

Entendo tudo, só não consigo entender o ganho disso. Será que pensam que melando a Copa do Mundo vão melhorar o país? Será que tirar a alegria do brasileiro que ama o futebol (e não são poucos) vai mudar o voto deles? Será que atrapalhar o andamento do evento mundial vai nos colocar bem na fita para o resto do mundo?

Nossa mudança independe de Copa do Mundo e independe – pasmem – do partido político no poder. Nossa mudança depende de nós, do povo, da massa, a começar dentro de casa. Enquanto buscarmos jeitinho individual, não teremos uma nação justa. Enquanto precisarmos de cotas e de tantas leis, é porque a máquina não funciona.

O brasileiro realmente sempre acha que o que vem de fora é melhor, que todo mundo todo presta, menos nós. E eu fico doente de ver isso se repetindo a cada dia.

O Brasil é um país jovem, engatinhando no desenvolvimento, tentando arduamente se colocar no resto do mundo com algum respeito, mas é muito difícil, quando nossos erros crassos advêm de séculos de descaso, vilipêndio e absoluta ausência de história e patriotismo. E não é estragando a Copa do Mundo que vamos mudar isso!

Nossa mudança tem que ser nossa, não interessa ao resto do mundo.

Se tínhamos que protestar contra a Copa, por que não o fizemos na época da escolha do país que a sediaria? Por que não fizemos arruaça, greve e outros que tais na ocasião? Agora, que todo o dinheiro já foi gasto, que todas as iniciativas já foram tomadas, que está tudo programado é que vamos azedar o creme? É comportamento típico de perdedores.

Passamos pela pior fase de nossa história durante a Copa do Mundo de 1970 e ninguém foi para as ruas estragar nada. A Copa foi maravilhosa e não distraiu o povo dos reais objetivos da luta pela democracia. Por que agora? Que medo é esse que vem assolando essa comunidade de panfleteiros?

Será que sou ufanista? Não. Sou brasileira, com muito orgulho, com muito amor. Não sou política, sou poeta. E sou tricolor de coração. E sou seleção canarinho. E quero o hexa, sim, senhor!

 

**********************


Publicado por Lílian Maial em 20/05/2014 às 16h44
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor e o link para o site "www.lilianmaial.com"). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
17/05/2014 14h43
NO MEIO DO MEU CAMINHO TAMBÉM TINHA PEDRAS...

No meio do meu caminho também tinha pedras...

®Lílian Maial

Era um frasco branco de tampa vermelha. Na verdade, translúcido o suficiente para me permitir vislumbrar os contornos das infelizes. Sonsas! O tempo todo trabalhando em silêncio, me apunhalando pelas costas (na barriga, mas irradiando para as costas). Três pedras escuras, sombrias, lamacentas. Ficaram para trás.

Todo ano, naquela época, a mesma coisa: mamografia, ultrassonografia, exames de sangue e urina. Fazemos os exames, sim, mas com a certeza de que nada vai aparecer para estragar a festa. Este ano, no entanto, foi um pouco diferente...

Na hora da ultrassonografia, uma imagem estranha. A médica pergunta:

- “Você tem ou teve endometriose?”.

Frio na barriga... 

– “Não, por quê?”

- “Nada de mais, mas apareceu uma imagem no ovário direito, que poderia ser um cisto hemático, ou algo parecido”.

Algo parecido? O que poderia ser algo parecido? Tumor? Câncer?

Resumindo a ópera: correndo fazer uma Ressonância Nuclear Magnética, que só o nome já dá calafrios. A maldita RNM confirmou imagem, não só no ovário direito, como também no esquerdo, e mais um cálculo renal à esquerda e pedras na vesícula! Raios! De onde veio isso tudo, se nunca sentira nada? Mentira! Sentira, sim, mas não dera valor. Achava que era algo sem importância e resolveu de forma caseira, mesmo, aliada à coragem de suportar umas dores na boa.

Enfim, os ovários deram mais medo do que qualquer pedra idiota. E faz exame daqui, faz exame dali, dezenas de marcadores tumorais. Nada de maligno. Ufa!

As pedras passaram, então, a ter maior importância, pelo potencial de complicações que traziam embutidas. E como não se deve deixar para amanhã o que se pode fazer hoje, cirurgia marcada de imediato.

Aí entra uma fase engraçada, a da negação: - “Não é nada, gente, só uma pequena cirurgia por vídeo”...  No fundo, um medo peculiar, aquele de deixar os filhos sem amparo, sem caminho, sem futuro. Coisa de mãe. E o neto a caminho? Não seria melhor esperar para vê-lo, ao menos, uma vez? Gargalhadas no eco. Tolinha. A ideia era justamente operar logo para estar em forma para a chegada do neto, e assim será.

E assim foi.

Hospital, cheiro de hospital, cama de hospital, enfermeiros, nutricionistas, atendentes simpáticas, tudo um horror! A visão da anestesista parecia mais a visão do inferno. Seria minha algoz? (Ei, mulher, eu tenho asma, viu? E me dou mal com Tramal®, Juvenal!).

O médico entusiasta me prometia alta no mesmo dia. – “Isso não é nada. Uma cirurgiazinha ridícula” (é porque não é na barriga dele...). – “Só tem um porém: não pode ir para a sala de cirurgia sedada, tem de ir acordada”.

Está aí algo que não recomendo. Se você tem que operar, que tenha o mínimo de desconforto possível. E entrar na sala de cirurgia, como se fosse um abatedouro, não é a melhor situação de alento. Horrível ficar analisando cada azulejo, cada instrumento de tortura, cada tudo: fio, pano, metal, lâmpada, enquanto a equipe fala umas gracinhas sem noção. Melhor ir dormindo e assim permanecer, até estar na caminha junto à família de novo.

Mas não, sou médica, tinha que ser forte e também tinha que dar algo errado.

Não vou entrar em detalhes do desconforto de perceber a medicação anestésica começando a fazer efeito de maneira desagradável e agoniante, nem do despertar confuso e com o mesmo mal estar respiratório. Não houve erro, apenas engano no cálculo do tempo de ação do raio do opiáceo. Mas continuo recomendando que se vá sedada para a sala de cirurgia.

Voltei para o quarto muito sonolenta e mal pude observar as pedras enormes! Ficou para depois. Deixaram o frasco de tampa vermelha lá num canto. Só que os enfermeiros acabaram colocando lençois e toalhas em cima e, na hora de ir embora, não vimos o potinho, deixando as pedras no caminho.

Não tem problema, que fiquem por lá! As impressões que elas deixaram estão marcadas na pele, tatuadas como mais um capítulo.

Tudo é fugaz, nada tem tanta importância, quanto a que nós mesmos damos, de acordo com nossos valores.

No mais, é repouso e poesia, que o neto não tarda a chegar, e o colinho já vai estar pronto para recebê-lo, forte e aconchegante, com umas reticências engraçadas para ele brincar na barriga da vovó.

************************************

 

 


Publicado por Lílian Maial em 17/05/2014 às 14h43
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor e o link para o site "www.lilianmaial.com"). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
31/03/2014 20h42
ESTUPRO

ESTUPRO

29 de março de 2014 às 13:02

 

 

 

Essa pesquisa, divulgada dia 27 de março pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apontou que 58,5% dos entrevistados concordaram totalmente ou parcialmente com a frase "Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros". É aterrador, um absurdo, que alguém normal acredite que o estuprador tem algum atenuante, que a vítima de uma violência brutal como o estupro – que deixa sequelas para o resto da vida - seja corresponsável pelo ato!

É como afirmar que o homem não consegue se controlar diante de uma mulher sensual, provocante ou com o corpo à mostra. Isso não existe! Quantos homens frequentam praias, clubes, saunas e não cometem estupro?É como se esses que concordaram com essa frase violenta (sim, porque a frase já é, em si, uma violência) estivessem sugerindo o uso do estupro como corretivo para que a mulher aprendesse a se comportar. Mas se comportar como, se são os homens que estimulam esse culto ao corpo? E se comportar por quê? Na opinião de quem? Sim, porque na opinião das mulheres certamente os homens não têm bom comportamento. Então vamos estuprar os homens que não se comportam como achamos que devem?

 

O estupro é humilhação, subserviência, domínio, demonstração de poder, haja vista o que ocorre nos presídios ao redor do mundo, e como são tratados nessas casas de detenção os estupradores.Ora raios! Temos mulheres em todos os níveis profissionais, em igualdade com os homens, caminhamos para a globalização em todos os sentidos, e nos deparamos com esse atraso, esse machismo doentio! Isso é inadmissível!

 

Para se ter uma ideia, segundo o Código Penal Brasileiro, em seu art. 213, estupro é:constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. Com a Lei 12.015/2009, o art. 213 foi alterado, não traz mais a expressão "mulher" e, sim, "alguém", logo, o homem, em tese, também pode ser vítima de estupro.

 

O estupro é considerado um dos crimes mais pena de reclusão de 06 a 10 anos, aumentada para 8-12 anos, caso haja lesão corporal da vítima, ou se a vítima possuir entre 14 a 18 anos de idade, e para 12 a 30 anos, se a conduta resultar em morte.

 

Portanto, trata-se de violênciaE qualquer tipo de violência, contra qualquer pessoa, há que ser considerada torpe e reprimida a todo custo. Não cabe discussão quanto à roupa ou sensualidade da vítima. A violência é uma deturpação inadmissível, seja quem for a vítima.

 

Num momento em que se desfraldam bandeiras em defesa de violência contra animais, homossexuais, minorias, não se pode aceitar que o direito de uma pessoa seja cerceado por nenhum tipo de violência.

 

 

PRÊT-À-PORTER

®Lílian Maial

 

hoje me aprontei para ser notada

nada de brilhos

maquiagem

frases feitas

vesti-me de liberdade

e solidão

desabotoei o peito

abri o fecho éclair dos sonhos

arrematei minhas verdades

não percebi que você apenas alinhavava

ilusões

remendando a dor.

 

****************

 

 


Publicado por Lílian Maial em 31/03/2014 às 20h42
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor e o link para o site "www.lilianmaial.com"). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.



Página 1 de 37 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 » [próxima»]



Site do Escritor criado por Recanto das Letras
 
Tweet